adultização nas redes o preço da exposição infantil na era digital

Adultização nas Redes: o Preço da Exposição Infantil na Era Digital

-

Escrito por: Ariane Sousa

Hoje, o Portal Amplo irá debater sobre um tema de grande repercussão na atualidade!

O Brasil vive hoje um debate urgente: até que ponto a internet, ao mesmo tempo em que conecta, também coloca em risco a infância? O tema da adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais voltou ao centro das discussões após a repercussão do vídeo do youtuber Felca, que expôs práticas de exploração da imagem de menores e trouxe à tona um problema que, por muito tempo, ficou invisível.

Quando a Inocência vira Mercadoria

Na lógica das plataformas digitais, cliques e engajamento valem ouro. O resultado é um sistema que, para gerar lucro, muitas vezes promove conteúdos que sexualizam ou expõem crianças de forma inadequada. O mais alarmante é que parte desse ciclo é alimentado não apenas por desconhecidos mal-intencionados, mas também por famílias que, em troca de audiência e monetização, acabam colocando seus filhos diante de milhões de pessoas — inclusive pedófilos.

Essa “adultização” se manifesta quando crianças passam a ser apresentadas e consumidas como pequenos adultos: em danças sensuais, roupas provocativas, discursos ou contextos que não correspondem à sua idade. A fronteira entre entretenimento e exploração se torna cada vez mais turva.

O Papel dos Algoritmos

Por trás desse fenômeno, estão algoritmos que não têm ética, apenas métricas. Se há interesse do público por determinado tipo de conteúdo, ele será impulsionado, sem considerar o impacto emocional, psicológico e até físico sobre os menores envolvidos. Essa engrenagem da atenção, guiada por curtidas e visualizações, acaba transformando a infância em produto — e a inocência em estatística de engajamento.

Reação Política e Social

A mobilização provocada pelo vídeo de Felca foi tão intensa que, em poucos dias, gerou uma enxurrada de propostas legislativas no Congresso Nacional, com o objetivo de apertar o cerco contra a exploração infantil online. Curiosamente, o tema uniu parlamentares de diferentes espectros ideológicos, demonstrando que, quando a pauta é a proteção da infância, não há espaço para divisões partidárias.

Entre as ideias debatidas, estão medidas para proibir a monetização de conteúdos envolvendo menores, fortalecer os mecanismos de fiscalização das plataformas e responsabilizar quem lucra com a exposição indevida de crianças.

O Debate que Precisamos Ter

Mais do que leis, esse é um convite à reflexão coletiva: até onde vamos permitir que a infância seja moldada pela lógica do mercado digital? O problema não está apenas em criminosos que se aproveitam da situação, mas também em uma cultura que normaliza e até incentiva a adultização como forma de ganhar relevância online.

Se a internet pode ser um espaço de aprendizado e criatividade, também precisa ser um ambiente seguro. E isso só será possível quando sociedade, famílias, empresas e governos assumirem juntos a responsabilidade de preservar o que deveria ser inviolável: a infância.

Vocês concordam? Deixe o seu comentário, e continue acessado o Portal Amplo para mais matérias como essa.


Copyright 2020. All rights reserved. Made with 🖤 by Portal Amplo.
crossmenu